Floresta plantada de Eucalipto. Foto: Leandro Taques.

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Parceria pode viabilizar recursos para estradas florestais

Para discutir a possibilidade de transformar os resíduos da construção civil em insumos para construção de estradas florestais a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) levou até o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Euclésio Finatti, o engenheiro florestal Marcelo Langer, que desenvolveu uma pesquisa pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em 2015, sob orientação do prof. dr. André Nagalli, intitulada “Uso de resíduos da construção e demolição na forma de agregados de resíduos mistos e resíduos de concreto (ARM e ARC, respectivamente) da Construção Civil e Demolição em estradas rurais e vicinais”. No encontro, o engenheiro florestal disse que um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas florestais e sociedade rural é quanto à construção e manutenção das estradas.

Segundo ele, a ausência de estradas em condições de rodagem pode gerar inúmeros problemas comerciais, econômicos e sociais, como por exemplo a perda de escoamento de produtos florestais, agrícolas, leite etc., e também de mobilidade humana, já que leva ao abandono das áreas rurais e mudança para cidades, gerando problemas em ambas as áreas. “Outro grande obstáculo no assunto é que os proprietários rurais, principalmente os florestais, acabam tendo que assumir todos os custos de construção de estradas vicinais municipais, estaduais e ou federais, custos estes que são muito altos”, destacou. Além das dificuldades apresentadas, Langer citou, ainda, que para se conseguir material para recapeamento das estradas, tipo cascalho, há diversas exigências burocráticas e legislativas, já que as licenças ambientais levam muito tempo para serem liberadas.

“Por outro lado, chamei a atenção ao problema que o setor de construção civil vive com relação à gestão dos seus resíduos e os processos de alto impacto ambiental e social relacionados ao descarte irregular ou de alto custo dos resíduos da construção e demolição. Mesmo havendo legislação que exige o desenvolvimento de programas de gestão de resíduos em obras de construção civil, ela ainda é pouco aplicada e não atinge pequenas obras. Vale ressaltar que há uma Lei que permite o uso de ARM e ARC em estradas urbanas, na formação da base da pavimentação de estradas, uso em calçadas, estacionamentos e outras infraestruturas da construção civil que não sejam estruturais, mas que não são valorizadas e nem aplicadas”, alertou.

Com base nessas informações, Marcelo Langer elencou inúmeras vantagens para o setor florestal e para a construção civil com a utilização dos resíduos para a construção de estradas florestais, como a redução de custos para obtenção de cascalho; ganho e agilidade para liberação de construção e reforma de estradas; redução de custos de transporte de materiais para recapeamento, pavimentação e construção das estradas, uma vez que por meio de ação conjunta ou parcerias público-privadas entre as empresas da cadeia produtiva da construção civil, empresas rurais, prefeituras e sociedade é possível dar destinação mais adequada aos resíduos da construção e demolição, aumentando o ciclo de vida destes resíduos e desenvolvendo o conceito de economia circular; redução dos impactos ambientais e sociais devido à extração de recursos naturais, alteração ambiental, poluição ligada ao descarte irregular em pontos de “desova ilegais”, dos resíduos sólidos da construção civil e demolição; redução da contaminação ambiental pela extração de recursos naturais e poluição de águas e solos pelos descartes clandestinos; melhora do valor da cadeia integrada de gestão dos resíduos sólidos urbanos; geração de empregos em usinas de processamentos dos resíduos sólidos da construção e demolição para tratamento, processamento e produção dos ARM e ARC; geração de consórcios entre municípios, empresas, agentes de investimento para aquisição de máquinas de processamento dos resíduos sólidos da construção e demolição e produção dos ARM e ARC; e redução de reclamações e multas às empresas da construção civil por falta de gestão dos seus resíduos sólidos.

Próximos passos

Na avaliação de Langer, o Sinduscon se mostrou favorável à ideia e disposto a desenvolver um projeto piloto integrado entre o Sindicato e a Apre. Agora, a Associação vai entrar em contato com as empresas para organizar reuniões e atividades para apresentar a possibilidade de uso dos ARM e ARC. Para isso, a Apre vai selecionar núcleos ou pólos de empresas florestais onde se possa mobilizar um grupo de empresas no Paraná. A ideia é envolver Associação Catarinense de Reflorestadores (ACR) para conseguir mobilizar grupos de empresas também em Santa Catarina. Já o Sinduscon vai organizar reuniões e eventos com prefeituras para entender e analisar possibilidades para mobilizar e envolver atores componentes da cadeia da construção civil.

“Nestas ações ou mobilizações, irei apresentar as bases da pesquisa e resultados, com esclarecimentos e promoção da técnica de uso dos ARM e ARC nas estradas florestais, rurais e vicinais, mostrando que o projeto tem como fundamento a sustentabilidade, com ação e participação integrada das empresas, governo e sociedade, pois permite que sejam desenvolvidas soluções ambientais aos problemas de geração de resíduos, exploração insustentável dos recursos naturais e danos sociais, como proliferação de animais peçonhentos e vetores de doenças em locais de acumulo irregular de resíduos sólidos da construção e demolição”, completou Langer.