Pinus. Foto: Berneck.

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Uma escola para falar sobre sustentabilidade

Primeira escola 100% sustentável já é realidade no Uruguai e tem modelo de ensino baseado no respeito à natureza

Se as crianças são o futuro do mundo, por que não começar uma grande mudança por elas? Foi pensando nisso que a comunidade de Jaureguiberry, no Uruguai, e mais um grupo de aproximadamente 200 voluntários construiu a primeira escola pública 100% sustentável da América Latina, batizada de Ecoescola Sustentável. A proposta é que as crianças aprendam já na base a preocupação com a natureza, e, para isso, nada melhor que elas passem grande parte do tempo em um local diretamente vinculado ao meio ambiente.

Quem guiou a construção da escola de 270 metros quadrados foi o arquiteto de prédios sustentáveis Michael Reynolds, conhecido como “guerreiro do lixo”, justamente por sempre pensar em construções que reutilizam materiais. Grandes estruturas de madeira e troncos de eucalipto, além de pneus, garrafas de vidro, latas de alumínio e papelão, foram os materiais utilizados – 60% reciclado ou reutilizado. O local conta também com painéis solares e moinhos de vento para geração de energia. A escola tem, ainda, um teto verde e canaletas que levam a água da chuva até um sistema de filtração. Esse sistema, então, distribui a água para os banheiros e para a horta.

Como o prédio foi totalmente pensado para que nenhum resíduo seja descartado ao seu redor, os estudantes aprendem desde o início a reutilizar os resíduos orgânicos para fazer, por exemplo, compostagem, que é um fertilizante natural. Esse fertilizante é utilizado na horta da escola, que produz alimentos orgânicos.

Para que a escola fosse construída, o projeto passou pela aprovação das autoridades da educação. Depois, para tirar a ideia do papel, os idealizadores buscaram financiamento privado e contaram também com o esforço de uma ONG local chamada Tagma. Cerca de 100 crianças passarão pela escola a cada ano. Nela, aprenderão a importância do respeito à natureza, já que o modelo de ensino foi pensado para que os alunos tenham contato com o meio ambiente e possam aprender desde cedo a cuidar dele. Para isso, os professores passam por uma capacitação especial para adaptarem os programas das disciplinas e também para que possam aprender o manejo autônomo do local.

A diretora Alicia Alvarez comemora o projeto inovador e diz que “não há aprendizado melhor do que viver”. “Independente de que as crianças possam aplicar ou não o que aprenderam, a semente está plantada”, completa.