Pinus. Foto: Berneck.

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Tendências para projetos em madeira e novas tecnologias

Painel fez parte da programação do 5º Simpósio Madeira & Construção

A programação do 5º Simpósio Madeira & Construção,promovido pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) e Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), reuniu especialistas para debater sobre as possibilidades para se projetar com madeira. KastnerDrewell, engenheiro civil da Immergrun, ressaltou que o primeiro passo é conhecer o material, quais as espécies, geometria, medidas, para fazer a melhor utilização dele. Além disso, afirmou ser importante conhecer as fixações e quais os materiais disponíveis para isso. “A partir disso, define-se altura, forma e aparência da estrutura, destacando, inclusive, por onde vai entrar a iluminação, onde ficarão as instalações elétricas e hidráulicas, ponte rolante, entre outros. Por fim, é necessário  pensar nas medidas de proteção, como proteção térmica, contra calor e frio; proteção preventiva contra incêndio; proteção acústica e proteção construtiva”, explicou.

Rafael Andrade de Souza, da Construtora Ragaframe, disse que o ponto crucial para um projeto em madeira é ter noção da sustentação e a atuação da carga dentro da estrutura. Destacou também que é preciso quebrar o paradigma de trabalhar com materiais de forma isolada e apostar na combinação deles para aproveitar a melhor característica de cada um, já que nem sempre o material mais barato é o mais econômico. “Explorar o material dentro da melhor performance ajuda no desempenho da estrutura, e tudo isso traz economia para a obra”, garantiu.

Souza citou, ainda, que a distribuição de esforços dentro de uma estrutura é muito importante. Sobre isso, ele disse que a análise da distribuição das cargas e dos esforços traz uma boa exploração da estrutura e também colabora para a concepção do projeto arquitetônico.

KastnerDrewell afirmou que é imprescindível envolver a Arquitetura com a Engenharia nesse processo, já que todos precisam conhecer o trabalho do outro para fazer o melhor projeto.

“Todos buscam uma estrutura que seja econômica, durável, bonita, que agregue à paisagem. Por isso, quando desenvolvemos algo, precisamos nos ater aos detalhes e entender que o detalhe não traz mais problemas, ele traz solução. Deixar para resolver algo na obra é gerar mais custo. O projeto precisa ser solucionado, pensar em como serão os parâmetros. É preciso ir além. A quantidade de estruturas em madeira no país é ínfima e precisamos colaborar com isso”, ressaltou.

O engenheiro civil Guilherme Stamato, que moderou o painel, complementou a fala de Drewell: “é fundamental, sim, olhar os detalhes, para não deixarmos margem para resolver questões de última hora e termos problemas”, disse. Ele garantiu, ainda, que hoje é possível fazer grandes obras com madeira, e que a utilização de novas tecnologias traz previsibilidade às obras e aos projetos. “Por isso, estabelecer esse diálogo é fundamental”, salientou.

Para fechar o painel, o arquiteto Fábio Freire apresentou o conceito do BIM (BuildingInformationModel), ou Modelagem da Informação da Construção. Ele afirmou que a adoção das mais recentes mudanças tecnológicas tem se revelado fundamental para o trabalho de profissionais da construção, pois são capazes de dar respostas aos novos desafios. No caso do BIM, o processo engloba modelagem paramétrica, interoperabilidade, colaboração e portabilidade da informação.

Na opinião dele, a ferramenta proporciona melhorias no processo em todas as etapas do projeto. Porém, é preciso ter em mente que a adoção do BIM não é feita da noite para o dia, e não ter consciência disso pode trazer frustração às pessoas. Segundo Freire, o BIM surge como catalisador do novo paradigma de abordagem do trabalho da indústria da Arquitetura, Engenharia e Construção ao longo de todo o ciclo de vida de um edifício, desde a fase inicial de concepção até a sua construção e manutenção.

“Ele não é apenas para o projeto. É algo que pode aprimorar os processos em todas as etapas. É uma completa ferramenta para estruturas de madeira. Trata-se de um novo mercado que está surgindo e existem poucos profissionais atuando nessa área”, completou.

O Simpósio conta com o apoio institucional da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Conselho Regional de Arquitetura do Paraná (CREA-PR), Embrapa Florestas, Faculdade Estácio, Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, Grupo Interdisciplinar de Estudos da Madeira da UFSC, Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Universidade federal de Santa Catarina (UFSC), Unicentro e Unila.