Pinus. Foto: Berneck.

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Setor florestal passa por expansão industrial e demanda aquecida por toras

Cenário foi apresentado pelo diretor da Valor Florestal, João Mancini, durante o 6º Workshop Embrapa Florestas/Apre

Um mercado vibrante, com diversos clusters industriais, cadeias de valor buscando todas as classes de produtos florestais e demanda aquecida por toras. Essa foi a avaliação apresentada pelo diretor comercial da Valor Florestal, João Mancini, durante o 6º Workshop Embrapa Florestas/Apre, quando abordou o tema “Florestas e o Mercado de Toras”. Na avaliação do diretor, há uma alta demanda de madeira para processo de diversificada base industrial.

“A expansão industrial está acontecendo. A maioria dos consumidores é verticalizada com floresta e indústria e compra entre 30 e 40% do mercado. Também percebemos o aumento da demanda com oferta limitada em algumas regiões, consumo de toras finas para processo, aumento do raio de distância do transporte, aumento do consumo de eucalipto e fornecedores desestimulados com investimento florestal”, pontuou.

Com relação ao mercado de toras, o diretor comercial ressaltou que a demanda está aquecida, apesar do baixo crescimento econômico, e isso é reflexo do aumento nas exportações das diferentes cadeias produtivas florestais. Sobre esse mercado, ele citou que o consumo é de 14,0 milhões de metros cúbicos por ano; os consumidores têm demonstrado preferência pela classe de diâmetros 18 – 35 cm, com declínio da demanda por toras de maior diâmetro; alguns consumidores vêm substituindo pinus por eucalipto; há oportunidades da exportação de toras, além de nichos de mercado para toras podadas; maiores fornecedores reduzindo vendas de todas para o mercado; muitos consumidores preocupados com suprimento de toras; grande maioria dos consumidores não tem investimentos florestais; existe um desequilíbrio entre a oferta e demanda em algumas regiões; e os preços das toras foram reajustados abaixo da inflação.

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Durante a palestra, Mancini lembrou que Paraná e Santa Catarina reduziram, em conjunto, as áreas de pinus em 50 mil hectares, enquanto que as áreas de eucalipto expandiram 190mil hectares. Isso se deve ao fato de o mercado ter maiores empresas florestais verticalmente integradas, que têm substituído pinus por eucalipto, com a estratégia de garantir rotações mais curtas, com idade de colheita menor, e maximizar rendimentos por hectares para aumentar a oferta de fibra para celulose/papel e chapas reconstituídas.

Outra informação importante apontada pelo diretor é que as empresas verticalmente integradas têm convertido 100% de seus ativos florestais de múltiplo produto para o regime “pulpwood”, com a estratégia de aumento da oferta para as indústrias de celulose/papel e produtores de painéis reconstituídos; redução da demanda por terra com o consequente aumento da produtividade por hectare; redução de custos; maximização da TIR considerando negócios integrados entre floresta e indústria; desramas e desbastes paralisados; e corte raso planejado para 14 ou 15 anos de idade.

Mancini destacou, ainda, que investidores florestais independentes e as pequenas e médias empresas continuam focados no manejo de multiprodutos, por conta da possibilidade de oferta para um mercado diversificado e para atender uma demanda forte e crescente por toras, pois, dessa forma, eles poderão aumentar a rentabilidade e também a oferta de toras. Por fim, ele citou que há também aqueles pequenos investidores que estão desmotivados e, por isso, estão convertendo áreas florestais para agropecuária ou vendendo toras, por conta dos preços baixos, do investimento de longo prazo, entre outros fatores, já que os custos da cadeia produtiva florestal vêm superando a inflação do país.

“Pela forma que vemos o mercado, acreditamos que as empresas florestais continuarão trabalhando para aumentar a produtividade em toda a cadeia produtiva florestal, e o processo de consolidação florestal e industrial continuará a acontecer. Veremos cada vez mais empresas integradas verticalmente que lideram o mercado gerindo suas florestas no regime pulpwood, e as principais empresas florestais continuarão priorizando o suprimento de suas indústrias e diminuindo a oferta de toras para o mercado”, afirmou.

O diretor destacou, ainda, que a grande maioria dos produtores de madeira sólida não é integrada verticalmente e, por isso, dependerá ainda mais da oferta do mercado. “Além disso, os consumidores de toras estarão mais preocupados em como garantir o suprimento industrial, pois já existe em algumas regiões um visível desequilíbrio entre a oferta e demanda por toras. Isso mostra que as empresas florestais não verticalizadas industrialmente terão cada vez mais papel central no suprimento de toras para os mercados regionais. Por fim, é importante dizer que a prática do manejo é fundamental para adicionar valor às florestas e aproveitar as boas oportunidades do mercado de toras”, completou.