Pinus. Foto: Berneck.

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Projeto cooperativo foca na qualidade do pinus paranaense

Pesquisas da Embrapa Florestas contribuíram para o aumento na produtividade do eucalipto; agora, o foco está no pinus: além da produtividade, a qualidade da madeira e produção de resina

A evolução da produção de florestas no Paraná – sob o olhar da pesquisa – esteve em sua origem ligada à melhoria de produtividade, tanto do eucalipto como de pinus. Desde a década de 1980, por exemplo, a Embrapa Florestas atuou nessa evolução, o que fez a produtividade do eucalipto aumentar entre três a quatro vezes em pouco mais de trinta anos de trabalho.

Agora, para atender a demanda da indústria de uma forma mais eficiente, o foco está – além da produtividade – diretamente ligado à qualidade da madeira e à produção de resina de pinus, que possui diversos usos industriais. Com o objetivo de viabilizar pesquisas para gerar tais tecnologias, a Embrapa Florestas, a Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal), a ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais) junto a dez empresas de base florestal se empenharam na criação do PCMP (Projeto Cooperativo de Melhoramento de Pinus).

O projeto iniciado recentemente concentra esforços para viabilizar o desenvolvimento de materiais genéticos melhorados de pinus, incluindo híbridos específicos para o atendimento às crescentes demandas por matéria-prima de alta qualidade e maior eficiência produtiva. Assim, ele visa à obtenção de sementes e clones geneticamente melhorados, fundamentado em uma base genética mais ampla possível, que assegure o potencial de melhoramento genético por várias gerações. As empresas inicialmente ligadas ao trabalho são: Águia Florestal, Amata Brasil, Agroflorestal Campo, Florestal Gateados, Florestal Rio Marombas, Pinara Reflorestamento e Administração, Reflorestadora Sincol, Remasa Reflorestadora, Resinas Brasil, Senges Florestadora e Agrícola.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas, Edilson Batista de Oliveira, por muito tempo se focou no aumento da produtividade de pinus, principalmente voltado para a indústria de papel e celulose, mas não se preocupou tanto com a qualidade dessa madeira. “Às vezes se pega um material genético que foi desenvolvido para papel e celulose e ao serrá-lo percebe-se que o produto não é bom. Agora estamos observando o comportamento das árvores ainda jovens, avaliando a qualidade, a densidade, para que o produto final seja melhorado com essas características.”

Uma das metas é resgatar os materiais genéticos introduzidos pela Embrapa e por outras instituições, além de importar outros para o enriquecimento do acervo genético do setor florestal brasileiro. Serão introduzidos materiais genéticos por meio de importações e intercâmbios com instituições dos Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Zimbabwe, Argentina, Uruguai, entre outros países. “Para as empresas florestais, as vantagens da associação à Embrapa incluem a ampliação das possibilidades de intercâmbio internacional com outras instituições de pesquisa, instituições financeiras e outras para enriquecer o acervo tecnológico e comercial. Um aspecto importante é a oportunidade para a capacitação contínua do corpo técnico das empresas e a ampla visibilidade institucional pelo seu protagonismo no avanço do setor florestal. Além disso, as empresas florestais, que representam as usuárias finais da tecnologia desenvolvida, terão mais facilidade de acessar materiais genéticos estratégicos para seus programas de silvicultura intensiva, bem como apoio institucional e tecnológico em diversas áreas específicas.”

Por fim, o pesquisador relata que o maior desafio está ligado à gestão do PCMP. “O projeto é muito amplo, principalmente na estrutura necessária, abrangência territorial, número de associados, técnicos envolvidos e materiais genéticos contemplados. Assim, fizemos um trabalho de identificar todos os riscos contratuais, gerenciais, tecnológicos, externos, organizacionais e de execução, e elaboramos um plano de contingências bastante completo para prevenir ou superar cada um.”

Klabin transformou números do Estado
Os números substanciais da produção florestal paranaense e aumento de sua representatividade frente ao País no último ano estão diretamente ligados a empresa Klabin e como ela tem investido no Paraná. Em março de 2016 entrou em operação a Unidade Puma, em Ortigueira, o que fez a empresa dobrar a sua capacidade de produção e se tornar a única empresa do Brasil a oferecer ao mercado, a partir de uma mesma planta industrial, celulose de fibra curta (eucalipto), celulose de fibra longa (pinus) e celulose fluff (utilizada na fabricação de fraldas e absorventes descartáveis).

No empreendimento foram investidos R$ 8,5 bilhões, incluindo infraestrutura (como um ramal ferroviário de 23 quilômetros) impostos e correções contratuais, e representa o maior investimento privado da história no Paraná. A nova unidade tem capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose ao ano, sendo 1,1 milhão de celulose de fibra curta e 400 mil toneladas de celulose de fibra longa. Uma parcela da celulose de fibra longa é convertida em celulose fluff, a única do País produzida a partir de florestas plantadas de pinus, processada em uma unidade industrial inteiramente projetada para essa finalidade.

Só como análise comparativa, em 2015 o volume mensal de recebimento de madeira da empresa era em média 310 mil ton/mês. Hoje, esse volume está em torno de 810 mil ton/mês. “Para 2018, estamos prevendo um pequeno aumento no volume de consumo, algo em torno de 5%, atingindo a capacidade de projeto, de 850 mil ton/mês”, projetam o diretor Florestal da Klabin, José Totti, e o gerente de planejamento florestal, Claudio Ortolan.

Junto aos produtores, a estratégia da empresa é o chamado Programa de Fomento Florestal, que promete “ampliar e diversificar a renda nas comunidades e consiste no estímulo à formação de florestas plantadas em propriedades rurais vizinhas às operações da empresa, auxilia na fixação dos agricultores na terra, promove a recuperação da vegetação e diversifica cultivos”. “Existem parcerias de fomento de várias modalidades, variando de acordo com o perfil do produtor, podendo ser com total fornecimento de insumos e mão de obra ou apenas insumos. O programa já beneficiou 19 mil produtores rurais e distribuiu mais de 160 milhões de mudas”, explicam os representantes.

Atualmente, a Klabin tem, nos Campos Gerais, a maior operação florestal do mundo. São cerca de 180 mil hectares de áreas plantadas e uma colheita de 10 milhões de toneladas por ano, ou 30 caminhões por hora. “A Klabin sempre foi um agente importante no mercado florestal regional, tanto vendendo toras mais grossas para a indústria regional, como comprando madeira e cavacos para produção de celulose e resíduos para energia. Esse percentual teve variação ao longo dos anos, cerca de 20% a 25% do consumo de madeira é comprada de produtores regionais.”

Por fim, vale ressaltar que a Unidade Puma eleva a Klabin à condição de autossuficiência energética, com produção de 270 MW de energia, dos quais 120 MW são consumidos pela Klabin e os 150 MW excedentes, suficientes para abastecer uma cidade de 500 mil habitantes, que são disponibilizados no Sistema Elétrico Brasileiro. (V.L.)

Uma poupança para os filhos
Geraldo Verussa é produtor em Apucarana e nasceu no campo. Na propriedade de 18 alqueires trabalha com café, apicultura e, desde o ano 2000, o eucalipto. O interessante é que a ideia de plantar floresta apareceu quando ele vislumbrou o futuro dos filhos e, assim, pensar numa espécie de poupança para eles.

Os filhos resolveram estudar na cidade, fazer faculdade, e a sucessão familiar na propriedade ficou, digamos, nebulosa. O filho Mario, de 32 anos, é médico e mora em São Paulo. A filha Aline, 26, e engenheira florestal e vive na área urbana de Apucarana, é a que está mais próxima da propriedade. Já o caçula Guilherme se formou engenheiro eletricista e mora em Londrina. “Percebi que não teria uma sucessão familiar e pensei nos eucaliptos. Vou cultivando, a lavoura é mais rústica, e a partir do momento que não puder mais trabalhar e a área ficar para eles, é algo mais tranquilo do que, por exemplo, café ou soja.”

Até agora, a experiência tem sido rentável para Verussa. Ele iniciou com dois alqueires e, nos anos posteriores, foi plantando de dois em dois alqueires por ano de forma escalonada. Hoje, no total, são aproximadamente 10 alqueires de madeira. Na primeira poda há alguns anos, comercializou junto a cooperativa Cocamar, que usou a produção para a geração de energia. Numa área de um alqueire de terra mecanizada, colheu 1,2 mil toneladas, que conseguiu vender a R$ 105 a tonelada. Com os descontos de frete e corte (R$ 45 por tonelada) o saldo final foi de R$ 60 livres por tonelada, em torno de R$ 72 mil para seis anos de produção (R$ 12 mil por ano). Acabou sendo mais rentável que soja.

“Atualmente o mercado está ruim, não paga mais este valor. A cooperativa parou de comprar a produção devido ao um abastecimento da Klabin e outras empresas têm fornecedores anuais. Há um ano e meio não estou conseguindo vender, mas com a expectativa de aumento dos preços em Ortigueira, isso deve refletir aqui. Mas fico confiante para o futuro, essas toras mais grossas que estou deixando para cortar daqui oito, dez anos. Ainda estou apostando que vou vender por um bom preço essa madeira lá na frente. Muita coisa pode acontecer e o futuro a Deus pertence.”

No que diz respeito ao manejo, Verussa relata que se trata de uma atividade bem tranquila. A atenção maior está nos dois primeiro anos, com atenção à formiga, grilos, que atacam com maior força quando as árvores são novas. “É o momento de cuidar do inseticida, das capinas, desramar, e depois não tem muito manejo, só esperar o corte. O começo é desgastante, mas depois basta esperar.” (V.L.)

Fonte: Folha de Londrina – Victor Lopes