Pinus. Foto: Berneck.

Sala de Imprensa

Notícias

Professor da Unesp fala sobre manejo integrado de pragas para controle em plantios florestais

A primeira parte do 7º Workshop Embrapa Florestas/Apre discutiu as pragas em florestas plantadas, e um dos convidados para o debate foi Carlos Frederico Wilcken, diretor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que falou sobre Manejo Integrado de Pragas. Segundo o professor, o Brasil apresenta uma indústria de base florestal bem estabelecida, com um ativo florestal muito importante. Ele citou que a área de florestas naturais enfrenta problemas, por conta da seca e das mudanças climáticas, e que as florestas plantadas também são afetadas por isso, principalmente pela predisposição à ocorrência de pragas e doenças.

Na palestra, Wilcken lembrou que, de acordo com o último relatório da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), há no país 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas, desde o Rio Grande do Sul até o Amapá. Na região Centro-Sul fica o principal polo de produção. No Sul, principalmente florestas de pinus e eucalipto. O Estado de Minas Gerais ainda apresenta a maior área plantada, principalmente de eucalipto, seguido de São Paulo e, agora, Mato Grosso do Sul. O quarto maior produtor, hoje, é Bahia. Quase 80% das florestas plantadas – 5,7 milhões de hectares – são de eucalipto.

Com relação às pragas, o problema se distribui por todo o país, principalmente no caso das formigas cortadeiras. Além das pragas nativas, o Brasil está vulnerável à introdução de novas pragas nas plantações florestais, pois as pragas espalhadas nos países vizinhos e o comércio internacional, a globalização, fazem com que elas acabem se espalhando. “Além das pragas nativas, como formigas cortadeiras, cupins e lagartas desfolhadoras, que são nativas também, depois começaram a aparecer também as exóticas. As primeiras chegaram na década de 1950. Nesse século, aumentou muito a ocorrência de pragas”, analisou.

De acordo com o palestrante, estão sendo conduzidos estudos em parceria com o Programa Cooperativo sobre Proteção Florestal (PROTEF) do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), com levantamentos anuais com as empresas florestais. São 11 anos de levantamento sistemático realizado on-line, a partir de um formulário padrão. De 2018 para cá, foram monitorados 2,4 milhões de hectares, de um universo de 5,7 milhões. “Estamos nos aproximando de 50% da área que temos resposta. Existe subnotificação e infelizmente não conseguimos acessar todas as áreas”, disse.

Wilcken lembrou que, no percevejo bronzeado, o pico foi em 2012. Até então, essa tinha sido a praga que havia atacado a maior área plantada de eucalipto no Brasil, segundo registros. Os números caíram até 2015 e depois voltaram a subir. “O problema das pragas exóticas é que elas chegam em determinado local e depois vão se espalhando. Por isso, precisamos acompanhar para fazer o controle biológico e controlar os focos”, ressaltou.

Outro exemplo citado pelo professor foram as lagartas, que, em média, afetavam entre 40 e 50 mil hectares por ano. Com o pico do percevejo bronzeado, diversas pragas foram menos importantes. Conforme as áreas de percevejo começaram a reduzir, aumentou a incidência de outras pragas. Em 2018, as lagartas em geral atingiram 320 mil hectares.

Ainda durante a palestra, Carlos Wilcken apresentou o estudo de caso de duas pragas. A primeira delas foi Gonipterus platensis, que aparece na América do Sul. Com base nos estudos feitos no Brasil, adulto vive de 140 até 220 dias, mas o dano mais drástico é causado pela larva, que vive de 15 a 21 dias. Segundo levantamentos realizados em São Paulo, a perda por desfolha varia de 10 a 40%.

“Desde que foi introduzida, a principal estratégia de manejo é controle biológico, por meio de parasitoide de ovos (Anaphes nitens). O maior dano foi quando a praga chegou ao Espírito Santo. Com menos de um ano de controle, conseguimos chegar a 90% de parasitismo. Até hoje, no Estado, essa é considerada uma praga sob controle. Porém, ela começou a aparecer em São Paulo, está descendo para o Paraná e vem aumentando aproximadamente 10 mil hectares por ano de áreas atacadas. Há ocorrência também na África do sul e no Chile, o que mostra que a praga não está só no Brasil. Não sabemos as causas e até hoje estamos estudando. Pensando em manejo de pragas, nosso intuito é ter estratégia de controle biológico em cada fase do inseto”, reforçou.

A segunda praga analisada foi o Percevejo bronzeado (Thaumastocoris peregrinus). Segundo estimativas apresentadas pelo professor, o prejuízo entre 2010 e 2015 foi de 10 a 20% de redução no volume da madeira – R$ 1,1 bilhão a menos de madeira. Na estratégia de manejo, o importante foi o monitoramento visual, para ajudar a quantificar a tomada de decisão. Foram estabelecidas quatro classes – ausente, baixa infestação, média infestação e alta infestação – e seus parâmetros, para definir as recomendações. O monitoramento de ramos também foi dividido nas mesmas quatro classes, com parâmetros, monitoramento e métodos de controle. Dentre as estratégias de manejo, estão controle biológico, controle microbiano e controle químico. “No Vale do Jequetinhonha (MG), por exemplo, conseguimos uma redução de 90% da área infestada entre 2011 e 2016”, apontou.

Para fechar a palestra, Wilcken trouxe um alerta aos participantes do workshop sobre o aparecimento de uma nova praga, a vespa-de-galha-vermelha. Os pesquisadores ainda estão aguardando a declaração oficial de introdução do Ministério da Agricultura para divulgação do trabalho. No momento, a praga apresenta baixa frequência de captura e foi introduzida em conjunto com seu inimigo natural. Por enquanto, não há relatos de infestação em plantios comerciais e a praga aparentemente está restrita ao Estado de São Paulo. Para o palestrante, “a detecção precoce é importante para se controlar uma infestação de pragas”.

Fonte – Maureen Bertol (MTb 8330/PR) – Interact Comunicação