Pinus. Foto: Berneck.

Sala de Imprensa

Notícias

Pesquisadores criam madeira mais resistente que aço

Estudo que desenvolveu a super madeira foi realizado por engenheiros de uma universidade americana

Uma madeira quase 12 vezes mais forte e 10 vezes mais resistente que a madeira natural. Um novo produto que pode substituir o aço. Este foi o resultado de um estudo  publicado no mês de fevereiro na revista Nature, uma das mais conceituadas na área da ciência.

A “super” madeira foi criada por engenheiros da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Ela é mais forte que o aço, seis vezes menos densa e precisa receber 10 vezes mais energia para sofrer fraturas, em relação à madeira natural. A madeira mais resistente também pode ser moldada durante seu processo de fabricação.

Por essas características, a nova madeira pode competir diretamente com o aço e as ligas de titânio, com custos menores. Outro fator que influencia neste contexto é o menor impacto ambiental na comparação com outros produtos.

 

Os pesquisadores usaram um processo de dois passos para chegar à “super madeira”. A equipe removeu parcialmente a lignina e a hemicelulose da madeira natural, por meio da ebulição em uma mistura de hidróxido de sódio e sulfato de sódio.

Posteriormente, o material passou por um processamento quente. Isso fez com que houvesse um total colapso das paredes celulares e uma densificação da madeira com nanofibras de celulose alinhadas. O estudo mostrou que o produto mais resistente pode ser criado a partir de vários tipos de madeira.

Resistência

Os pesquisadores da Universidade de Maryland testaram o material com tiros de projéteis de aço, similares a balas de revólver. Os projéteis atravessaram a madeira natural, mas ficaram retidos até a metade quando disparados contra a madeira tratada. “A supermadeira é tão forte quanto o aço, mas seis vezes mais leve”, diz Hu.

O tratamento funcionou nos testes realizados em três tipos de madeira dura (tília, carvalho e álamo) e outros três de madeira mais leve (cedro e pinheiro). Ao adensar madeiras mais leves, será possível diversificar seu uso, explica o pesquisador.

“Madeiras leves como o pinheiro, que crescem rapidamente e são mais ecologicamente corretas, podem substituir florestas mais densas porém de crescimento mais lento, como a teca, (para fabricação de) móveis ou edificações”, diz Hu.

Questionado sobre essa tecnologia estimular o desmatamento, Hu argumenta que “a madeira densificada pode ser usada por mais tempo, e por isso não resultará na destruição de florestas”.

Agora, os pesquisadores estão em busca de aplicações para a nova tecnologia, e uma startup universitária foi criada para comercializar a técnica.

Fonte: Portal Madeira e Construção com informações da Nature