Pinus. Foto: Berneck.

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Pesquisa científica foi fundamental à expansão da atividade florestal, atestam representantes do setor

Representantes de empresas e instituições ligadas ao setor florestal fazem uma retrospectiva dos avanços conquistados em termos de produtividade e de regulamentação da atividade.

A trajetória do cultivo florestal no Brasil e sua importância no contexto econômico e social deram a tônica do segundo bloco de palestras do evento “Tendências para a pesquisa florestal: caminhos trilhados e perspectivas”, em comemoração aos 40 anos da Embrapa Florestas, realizado na última sexta-feira (11/05), em Curitiba/PR. Representantes de empresas e instituições ligadas ao setor fizeram uma retrospectiva dos avanços conquistados em termos de produtividade e de regulamentação da atividade, apontando a importante contribuição da Unidade nessa evolução.

O diretor executivo da IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), Marcílio Caron Neto, lembrou que a expansão do cultivo de florestas no Brasil teve início em 1966, quando o país tinha um déficit na balança comercial, por conta da importação de papel. Para reverter esse déficit, foi publicada a lei nº 5.106 (alterada pela lei nº 1.134, de 1970), que criou incentivos fiscais para os empreendimentos florestais, e a partir daí deu-se início à introdução do eucalipto e do pinus, no país.

“Hoje, temos em torno de 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas. Mas além delas, as empresas florestais conservam outros 6 milhões de hectares de florestas nativas”, relatou Caron Neto, destacando a contribuição do setor de florestas plantadas para a conservação das reservas naturais. Justamente por entender que o cultivo de árvores não pode ser considerado uma atividade com potencial de degradação, o executivo vem defendendo a criação de uma lei que institua regras de licenciamento ambiental para as diferentes atividades, o que se dá, atualmente, por resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As informações científicas coletadas pela Embrapa Florestas, segundo ele, têm sido essenciais para embasar esse pleito.

O diretor da Valor Florestal, Edson Antonio Balloni, reforçou as informações apresentadas por Caron Neto, falando sobre os desdobramentos a partir do “ponta-pé inicial” dado pelos incentivos fiscais. Para ele, a atividade florestal fomentou a instalação de novas indústrias e de escolas de engenharia florestal, que também contribuíram para a evolução da produção científica voltada à expansão e aumento da produtividade das áreas plantadas.

Balloni lembrou que a Embrapa Florestas, ao longo do tempo, desenvolveu um trabalho muito interessante com híbridos e que seria muito oportuno que começasse a ofertá-los para empresas, na forma de solução tecnológica para melhoria de produtividade.

Diante da importância econômica e social do setor florestal para o Brasil, os esforços para promover melhorias na produção são contínuos. Foi o que destacou, em sua palestra, o diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Carlos Mendes. Ele falou sobre os programas cooperativos, nos quais a Embrapa Florestas participa ativamente, para dar suporte aos produtores no aumento da produtividade e no controle biológico de pragas. citando como exemplos o Funcema (Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais) e o Funpinus (Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus).

Agrossilvicultura
Uma nova etapa de evolução do setor florestal também tem tido a contribuição da Embrapa Florestas, em conjunto com outras Unidades, em especial a Embrapa Gado de Corte. Pesquisadores dessas unidades têm dado suporte a produtores de Mato Grosso do Sul na implantação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta como alternativa para o aproveitamento de áreas de pecuária degradadas, que se estendem por 5 milhões de hectares no estado. Esse foi o tema da palestra do presidente da Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas), Moacir Reis, que se mostrou otimista com os resultados dessa prática. “Temos produtividade média de 35 metros cúbicos de madeira por hectare no sistema agrossilvipastoril. Somos competitivos na floresta, e temos a pecuária como um adicional”, afirmou.

Reis contou que a estratégia de associar pecuária ao cultivo agrícola e florestal tem sido muito empregada no estado, até por conta da dificuldade no arrendamento de terras, cujos valores aumentaram muito. “Não se planta somente eucalipto com pastagem, mas também com lavoura. Na região já temos soja e milho, e isso é importante para gente saber que a diversidade da cultura da floresta pode se encaixar em outras regiões.” Até agora, são aproximadamente 250 mil hectares de ILPF no Mato Grosso do Sul.

Além de avaliar as melhores técnicas de plantio, com diferentes arranjos de espaçamento das árvores, o trabalho da Embrapa tem avançado para a certificação das propriedades, dentro do conceito Carne Carbono Neutro (CCN), que deve servir de estímulo a práticas sustentáveis e agregar valor ao produto comercializado. Nesse sistema de produção, as emissões de gases do metabolismo dos animais são neutralizadas pelas árvores.

Participaram do evento empresários e dirigentes do setor de base florestal, representantes de empresas públicas ligadas à questão florestal, associações, universidades, políticos, pesquisadores, empregados e aposentados da Unidade.

A realização do evento contou com o apoio da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Arauco, Berneck, Klabin, Interact Comunicação e Assessoria de Imprensa, Águia Florestal, RMS, Valor Florestal, Reflorestadora São Miguel, Remasa, Chopim Empreendimentos Florestais e Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná.

 

Redação Andrea Lombardo – Interact Comunicação Empresarial
Edição Katia Pichelli – Embrapa Florestas