Pinus. Foto: Berneck.

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Pellets: um mercado emergente

Cada vez mais, novas aplicações dos pellets produzidos a partir de resíduos florestais ganham a atenção do mercado como uma alternativa, um biocombustível sustentável e economicamente vantajoso. No Brasil, esse mercado em expansão pede por regulamentação

Em uma economia global cada vez mais preocupada com o uso responsável de recursos naturais para manter o desenvolvimento sustentável, os pellets de madeira despontam como biocombustíveis promissores. Compostos de resíduos de biomassa vegetal, os pellets são pequenos cilindros regulares, com baixo teor de umidade e elevada densidade energética, que possuem diversas aplicações em muitos setores da indústria – e por isso vêm conquistando seu espaço no mercado.

Como produto originário de resíduos florestais, o crescimento do mercado de pellets contribui para o aumento do potencial das florestas plantadas, diversificando a gama de produtos derivados da atividade florestal.

“Existem estimativas de crescimento da demanda internacional de pellets, principalmente na Europa, e este fato tem alimentado a expansão e a criação de novas indústrias no Brasil. Já o mercado nacional está em constante crescimento, principalmente devido à facilidade de utilização dos pellets como biocombustível, e à possibilidade de automação dos equipamentos. Os pellets estão cada vez mais sendo usados para a secagem de grãos e aquecimento de aviários e hotéis”, detalha a Engenheira Vivian Midori Takahashi, consultora de produção e qualidade de pellets e briquetes.

Marcelo Joaquim, comercial da TMSA, explica que o consumo interno de pellets no Brasil tem se desenvolvido principalmente no mercado de aviários. Os beneficiadores de frango de corte para frigorífico estão substituindo a lenha pelos pellets em função da praticidade no manuseio e aumento da eficiência de produção. “Além disso, há fabricantes de pellets que estão desenvolvendo o próprio mercado fazendo prospecções em hotéis, churrascarias, pizzarias, padarias, etc. promovendo a substituição da lenha, carvão e gás por esta fonte renovável de alto poder calorífico”, relata.

Outro fator que Marcelo destaca é a valorização do Euro, que favorece as exportações para o mercado de aquecimento residencial (heating), principalmente na Itália, um dos maiores importadores de pellets do mundo nesta indústria. Há ainda o mercado do pellet industrial, que fornece para grandes companhias termelétricas ao redor do mundo, comprometidas em substituir o carvão por uma fonte renovável como o pellet. Todos estes fatores têm incentivado empresários a investirem na produção deste combustível.

De setembro de 2017 a julho de 2018, o Brasil exportou 211.174 toneladas de pellets para fins industriais, um aumento de 326% em relação ao período anterior. O maior país de destino para essa classe de produtos foi o Reino Unido, representando 69,9% do volume exportado.

Regulamentação e potencial

Em termos de exportações e competitividade no cenário internacional, a regulamentação de um produto pode ser um fator decisivo na entrada em mercados desenvolvidos, com maior grau de exigência por parte do mercado consumidor e das próprias autoridades. Por se tratar de um produto cujo mercado é de crescimento recente, os pellets ainda necessitam de regulamentação no Brasil. Hoje, não há no país uma norma certificadora de qualidade de produto, mas as empresas focadas em alguns mercados externos necessitam de certificações internacionais para ter entrada a esses países.

“No Brasil não há regulamentação, ou seja, o pellet é um produto ‘qualquer’, sem especificações e normas a serem seguidas. Entretanto, empresas que pretendem exportar seus pellets para Europa principalmente, devem se enquadrar à norma ENPlus que define parâmetros de dureza, percentual de finos, teor de cinzas dentre outros”, frisa Marcelo Joaquim.

A exigência internacional por determinados padrões de qualidade é um desafio para as empresas brasileiras, mas a tendência é, segundo os entrevistados, que o mercado nacional se fortaleça e que o Brasil aumente sua participação no mercado internacional. “Temos condições de aumentar a produção nacional principalmente por possuirmos uma indústria madeireira bem consolidada, além de um grande potencial florestal”, diz Vivian Takahashi.

Atualmente, para Vivian, o maior entrave das indústrias de pellets tem sido a falta de conhecimento técnico e a qualidade da matéria prima utilizada, pois a maioria das empresas utiliza como matéria prima os resíduos ou coprodutos de outras indústrias do setor. “No entanto, não há classificação, nem triagem do material (primeiro passo para a obtenção da certificação). Outra tendência para o futuro seria a utilização de pellets torreficados”, argumenta.

Já Marcelo Joaquim, da TMSA, complementa: “Para quem comercializa o pellet no mercado interno, infelizmente ainda não há subsídios e/ou redução de impostos, o que desestimula a produção, tendo em vista que o investimento em uma fábrica não é baixo. Para quem exporta, apesar da vantagem em não haver impostos para exportação, fabricantes que estão longe dos portos enfrentam altos custos com frete”.

VANTAGENS

  1. Umidade do pellet é controlada /conhecida
  2. Permite utilização de alimentador automático no queimador que atua de acordo com a temperatura
  3. Ausência de cinzas pós-queima
  4. Produto de alta densidade
  5. Produto embalado

 

Fonte: B.Forest – Edição 54