Pinus. Foto: Berneck.

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Palestra aborda a importância dos cálculos de análise de risco sobre as perdas no suprimento de madeira

Atualmente, graças à tecnologia, é possível gerenciar, de forma mais precisa, os ativos florestais, bem como os recursos naturais e a infraestrutura, visando a um planejamento financeiro. A importância dos cálculos de análise de risco foi o tema tratado por Cesar Junio Santana, especialista em otimização de processos de planejamento de negócios de operações florestais e um dos palestrantes do 7º Workshop Embrapa Florestas/Apre, no dia 23. Santana é engenheiro florestal e doutor pela Universidade Federal do Paraná e atua como consultor de planejamento e otimização da Remsoft, empresa canadense de soluções de gerenciamento e otimização de ativos florestais.
Em sua apresentação, o especialista abordou diversos assuntos que fazem parte do tema modelagem biológica e impacto de perdas no suprimento de madeira. Dentro da análise de riscos inerentes ao negócio florestal, Santana citou os tipos de riscos a serem considerados em investimentos de novos projetos florestais: os vinculados diretamente a terras e florestas, sendo o risco do investimento um deles; a localização das propriedades e os materiais genéticos utilizados (o uso das terras e as estratégias de manejo de acordo com a variabilidade e diversidade de materiais genéticos disponíveis) e também sobre as questões vinculadas às taxas de crescimento e produção (área útil e qualidade da floresta).
De acordo com o consultor, a questão de pragas e doenças não está vinculada de forma explícita como um risco, no mercado nacional, devido às vantagens competitivas existentes no Brasil. “O nível de dano e a severidade de alguns eventos que ocorrem em outros países não é ainda tão expressivo para estar dentro do mapeamento de risco, segundo a associação de engenheiros florestais americana. Mas ela está exatamente dentro do item`taxas de crescimento e produtividade’, e dentro do nosso modelo de planejamento estratégico nós temos que cobrir isso”, explica Santana.
Segundo o relatório anual do Ibá, existem no Brasil 7,83 milhões de hectares de florestas, sendo que 33% pertencem ao setor de celulose e papel, com uma distribuição de plantio mais concentrada no Sudeste e no Sul. Novas fronteiras de plantio foram abertas (por exemplo, no Maranhão e no Mato Grosso do Sul, sendo este o estado que mais cresce nacionalmente em sua escala de plantio), trazendo mais riscos para o negócio florestal. Incêndios, pragas e doenças e os demais fatores que podem trazer perdas para o processo produtivo estão incluídos nessas análises de risco, para o suprimento sustentável.
Cesar Santana enfatizou como as perdas não planejadas, como as alterações climáticas, por exemplo, influenciam no planejamento estratégico, dentro de um contexto de análise de risco. Santana falou sobre os elementos fundamentais para se conhecer as estratégias possíveis de serem adotadas que permitem gerar cenários, considerando os fatores de perdas bióticos e abióticos. “Em muitos processos de planejamento, nós utilizamos modelos determinísticos para estimar a produtividade, em função da idade, para diferentes produtos da floresta, considerando estimativas médias. Considerando esses fatores que podem interferir na produtividade média esperada, passamos a nos preocupar com os limites inferiores e superiores dessas médias. Para cada condição local é importante ter uma visão maior dessa dispersão, desse coeficiente de variação que ocorre na produtividade para podermos utilizar isso a nosso favor quando formos fazer o planejamento estratégico”, explica.
De acordo com Santana, a Remsoft analisa os riscos em investimentos, por meio de três técnicas usadas no cálculo de estimativas subjetivas: análise de cenários (otimistas, realistas e pessimistas), simulações e análise de sensibilidade, por meio de coeficientes financeiros (por exemplo, volatilidade do preço da terra, variabilidade do volume de madeira própria etc) e coeficientes técnicos (por exemplo, porcentagem por incêndios, geadas ou ventos, e perda por pragas, doenças etc) para avaliar como as variáveis de entrada vão alterar as saídas.
Um planejamento bem estruturado permite não somente que a empresa conheça o melhor desempenho possível, mas também se prepare para o pior cenário. “Isso é interessantíssimo para o acionista, para o investidor e para o produtor florestal. Por isso, é fundamental entender quais são as variáveis desse processo de incertezas que mais podem trazer prejuízos ou perdas”, enfatiza.
Fonte: Manuela Bergamim (MTb 1951-ES) – Embrapa Florestas