Pinus. Foto: Berneck.

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Números da Abimci mostram que indústria de madeira exportou mais e faturou menos

Desafio para 2017 passa por melhorar estratégias de negócios para superar ameaças internas

Um ano marcado por incertezas na economia e na política do Brasil, aumento nos custos de produção e queda nos preços internacionais. Nesse cenário, a indústria madeireira fechou o ano de 2016 com um faturamento menor, apesar de um aumento no volume exportado. “Registramos uma evidente diminuição de lucratividade nas empresas e maior pressão comercial nos mercados compradores”, avalia o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), José Carlos Januário.

Na avaliação da Associação, um dos grandes desafios que as indústrias irão enfrentar em 2017 será melhorar as estratégias nos negócios com o objetivo de se proteger das ameaças que podem vir da economia interna, que inclui o aumento de custos de produção como energia elétrica, logística, insumos, entre outros.

“Aguardamos medidas mais assertivas, por parte do governo federal, que estimulem o setor produtivo, que nos permitam retomar a confiança, com políticas que garantam um câmbio competitivo para os exportadores, a necessária recuperação e real retomada do consumo do mercado interno, além das reformas indispensáveis nas áreas trabalhista e previdenciária, que permitam ao país voltar a crescer”, afirma Januário.

Confira o balanço dos principais produtos de madeira exportados em 2016:

Compensado de pinus

O volume exportado em 2016 atingiu 1.730,467 m³, maior volume nos últimos 10 anos, com 16,2% de aumento em relação ao volume embarcado em 2015. A média mensal foi de 144.206 m³, o que representou 24 mil m³ a mais por mês exportados pelo Brasil quando comparado ao ano anterior. Os números revelam, segundo a Abimci, uma tendência de alta que iniciou em 2015 impulsionada pela queda de consumo do mercado interno, aliado à paralisia da economia e o acesso caro e restrito ao crédito, que fez com que muitas empresas do segmento migrassem sua produção para o mercado externo. “Esse cenário traz vários alertas às empresas produtoras, como em relação à oferta x consumo do mercado, à instabilidade dos preços e ao aumento preocupante dos custos de produção”, avalia o presidente da entidade.

Entre os principais destinos desse produto em 2016 estão Estados Unidos com 28,3%, Reino Unido com 15,9%, Bélgica, 11%, Alemanha, 9,67%, e México, 4,9%.

Madeira serrada de pinus

O volume embarcado em 2016 foi de 2.166.555 m³, o que mostra a evolução das exportações nacionais de madeira serrada de pinus, com média mensal de 180.546 m³. Nesse volume também aparecem as exportações de molduras, que têm como principal destino o mercado americano.

De acordo com a Abimci, os aumentos percentuais foram expressivos quando se avalia o volume exportado, mas, como nos demais segmentos, ainda em cima de uma base menor de faturamento por metro cúbico.

“Com mais de 60 países de destino das exportações, esse segmento mostra a evolução comercial das empresas, procurando novos mercados e produtos com maiores especificidades. Certamente as exportações podem crescer nesse segmento”, acredita o presidente.

O maior volume da produção nacional de madeira serrada de pinus é consumido no mercado interno, principalmente na construção civil. Entre os países compradores aparecem: Estados Unidos com 42,3%, China, 12,8% e Arábia Saudita, 6,77%.

Lâminas de Pinus

Esse segmento registrou um crescimento de 30% no volume embarcado quando comparado a 2015, atingindo 70.514 m³ em 2016, com média mensal de 5.876 m³. O volume, no entanto, permanece baixo diante das possibilidades brasileiras nesse segmento. Os principais destinos são Malásia com 40%, Coreia do Sul, 23,6%, e China, 11,5%.

Compensado Tropical

Percentualmente, o volume tem aumentado de forma importante nos últimos três anos, revelando a recuperação no mercado de empresas situadas nas regiões Norte e Centro-Oeste e progressos com as barreiras de abastecimento de matéria-prima. Em 2016, foram exportados 62.803 m³, com média mensal de 5.233 m³. Os cinco maiores mercados foram a Argentina com 25,8%, Estados Unidos, 16,6%, Reino Único, 11,9%, Itália, 5,3% e República Dominicana, 5%.

Madeira serrada tropical

O volume embarcado em 2016 atingiu 657.576 m³, com média mensal de embarques de 54.798 m³, mostrando crescimento parecido com o ocorrido no compensado tropical nos últimos três anos, reforçando a recuperação da posição brasileira como fornecedor de madeira tropical, mas ainda distante dos volumes embarcados há oito anos quando chegava a 1 milhão de m³/ano. Os principais destinos foram Estados Unidos com 21,1%, Índia, 8,7%, Holanda, 8,4%, China, 8,1%, Vietnã, 5,6%.

Lâminas tropical

Esse produto foi um dos únicos a registrar queda no volume exportado em 2016 quando a 2015. No total foram embarcados 12.405 m³, com média mensal de 1.033 m³. Uma diminuição de 27%.

Pisos

Os embarques de pisos maciços, nas suas diversas especificações, totalizaram 63.317.489 kg, com média mensal de embarques de 5.276.457 kg, com crescimento em torno de 20% comparado aos embarques realizados em 2015. Os destinos principais foram Estados Unidos com 61,2%, França, 6,2%, Bélgica, 5,7%, Canadá, 5,3%, e Cuba, 4,2%.

Portas

O volume embarcado de portas maciças em 2016 totalizou 9.254.205 kg, com média mensal de 771.183 kg, um aumento de 18,8 % no volume exportado em relação a 2015. Comparada à média de volume que vinha sendo embarcada nos últimos três anos, em torno de 7.500.000 kg, o ano de 2016 mostrou um crescimento mais expressivo das exportações nacionais desse produto. Os cinco principais mercados foram Estados Unidos com 71%, Reino Unido, 5,9%, Canadá, 4,7%, Panamá, 2,3%, e Porto Rico, 2,2%.