Pinus. Foto: Berneck.

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Floresta sadia, madeira de qualidade

A madeira de pinus, originária da região sul do Brasil, é reconhecida internacionalmente pela alta qualidade. Isto se deve por vários fatores, que envolvem planejamento, melhoramento genético, boas condições de solo e clima e medidas fitossanitárias.

Um grande problema, enfrentado pelos produtores de pinus na década de 1980 foi a incidência da Sirex noctilio, mais conhecida como Vespa-da-Madeira. As fêmeas fecundadas do inseto depositam ovos nos troncos das árvores, junto com uma mucossecreção e fungos, que servem de alimentos para os ovos. Estas substâncias são tóxicas para a planta e podem provocar a morte da árvore. Um grande trabalho, desenvolvido pelas associações florestais e pela Embrapa Florestas trouxe a solução para o problema através do controle biológico. Um nematoide, Deladenux siricidicula, é introduzido em árvores infectadas. Eles tornam as vespas inférteis e as próprias vespas ajudam a espalhar os nematoides pela floresta atacada.

As associações florestais da região sul: Ageflor, ACR e Apre, junto com a Embrapa Florestas, fazem parte do Fundo de Combate à Vespa-da-Madeira (FUNCEMA) e são responsáveis por fomentar o combate, desde o fim da década de 1980. O controle biológico é um sucesso, mas para continuar obtendo êxito precisa da participação de todos os produtores de pinus. “Profissionais que atuam no corte, desbaste, transporte e nas serrarias, devem ser instruídos para detectar e relatar sinais de infestação”, lembra o diretor executivo da ACR, Mauro Murara Jr.

Recentemente o nematoide Deladenus siricidicola obteve registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O agente de controle biológico agora tem nome comercial: Nematec. O processo de registro levou seis anos e passou por diversas fases de análise, inclusive com registro de marca e identidade junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). “O registro de um produto reconhece a adequação do mesmo à legislação vigente no país”, explica a pesquisadora Susete Chiarello Penteado, da Embrapa Florestas. “Isso garante ao usuário que o produto atende aos critérios estabelecidos em leis e à regulamentação específica de cada órgão envolvido”, completa.

Para o chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede, o programa evita prejuízo financeiro e ambiental. “O sucesso deste programa faz com que a praga esteja sob controle e evite um prejuízo de cerca de U$ 25 milhões anuais ao setor de base florestal. O uso do Nematec é extremamente eficaz, além de não prejudicar o meio ambiente”, atesta ele.