Pinus. Foto: Berneck.

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Eucalipto firma-se como potencial de alta renda e integração na lavoura

A estimativa preliminar do IFP é que a região de Umuarama conte com mais de 25 mil hectares de área plantada de eucalipto

Citada como um dos importantes polos moveleiros do Paraná, Umuarama conta com cerca de 100 empresas no setor. Além dos móveis, a geração de energia vem abrindo caminho para o investimento na cultura do eucalipto, por parte de agricultores locais e regionais. Tal expansão da silvicultura ao longo dos anos na região da Amerios fez com que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB), por meio do Instituto de Florestas do Paraná (IFP), iniciasse um trabalho de qualificação da madeira para levar orientações aos produtores.

A estimativa preliminar do IFP é que a região de Umuarama conte com mais de 25 mil hectares de área plantada de eucalipto. Conforme o técnico do Instinto de Floresta do Paraná, Cláudio Marconi, com a conclusão do levantamento, nos próximos meses, será iniciado o inventário florestal. O documento revelará quais as qualidades de madeiras de eucalipto estão sendo produzidas na região. “Vamos poder orientar os produtores se a madeira será para lenha ou móveis. Como também, levar informações de como transformar a plantação em uma ‘madeira clean’ a mais desejada no mercado moveleiro, e que quase não existe hoje”, disse.

Os primeiros dados do levantamento regional apontam para uma área significativa de madeira indo para a geração de energia e desta forma, o produtor acaba recebendo um valor inferior se comparado com a madeira para a indústria moveleira. “Esse não é o objetivo das lavouras que estamos orientando os produtores. Nem toda produção precisa ir para lenha, se aplicado o manejo correto da produção de eucalipto. Com isso o produtor pode aumentar 500% do seu faturamento”, explicou Marconi.

Conforme o produtor e presidente da Associação dos Produtores de Eucalipto de Umuarama e Região, Itamar Larsen, os mais de 50 associados estão investindo no setor há sete anos e agora iniciam a segunda fase na produção do eucalipto. Até o momento a madeira era utilizada apenas para a produção de lenha, mas assim como outros setores econômicos do País, os preços do produto recuaram pressionados pela crise nacional.

Confiante em uma retomada nos valores, o produtor ressalta que a região conta com um mercado consumidor importante e que necessita de produto de qualidade. “Entramos na fase de iniciar a venda para o mercado moveleiro local, que hoje vem recebendo 100% da madeira de outras regiões do Paraná. Mas para isso, é preciso investir em tecnologia e orientação técnica”, orientou.

MADEIRA LIMPA – O topo da produtividade da silvicultura do eucalipto seria a madeira limpa, ou seja, sem nós. Esse tipo de produto é utilizado para a produção de lâminas utilizadas na indústria moveleira e que hoje é escaço. Para isso, a planta tem que ser trabalhada desde o plantio com espaçamentos diferenciados e manutenção por períodos, com a desrama e raleio. “Não é um plantio comum, começamos a desrama da árvore entre 7 e 8 meses e a acada seis meses continua realizando o processo até atingir a metragem esperada. Posteriormente, também entra o raleio, pois as árvores começam a competir entre si”, ressaltou Marconi.

O produto chega ao seu auge com uma árvore de 15 anos e devido sua qualidade é disputado pelo mercado. “Quando se tem uma madeira sem nós, esse produto agrega valores que chegam a 500% em relação a uma tora comum”, noticiou.

Poupança verde

Um dos receios do produtor regional em relação ao cultivo do eucalipto é o tempo de produção. Neste sentido, o técnico do IFP explica que a produção de madeira deve ser pensada para cada propriedade e anseios do produtor. Desta forma, o agricultor não precisa esperar os 15 anos para iniciar a geração de renda com eucalipto. “O eucalipto pode ser manejado com outras culturas e essa é a fórmula para o desenvolvimento econômico da agricultura regional” acrescentou Cláudio Marconi.

Quando o produtor se utiliza de maciços florestais, em quatro anos vem o primeiro raleio e pode entrar com a pastagem em meio do eucalipto e a madeira ser vendida para a geração de energia e a construção civil. Mas, se esse é um período grande para o produtor ficar sem renda, então o agricultor entra com silvipastoril na reforma da pastagem. “A orientação é trabalhar com 600 árvores por hectare, o que também vai proporcionar sombreamento ao gado e melhor qualidade de pastagem. A integração lavoura, pecuária e floresta é necessária para elevar os valores de renda da propriedade rural”, orientou o entrevistado.

Fonte: Umuarama Ilustrado