Pinus. Foto: Berneck.

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Entrevista com Álvaro Scheffer Junior, diretor da Águia Florestal e presidente da Apre

Engenheiro florestal falou sobre o mercado para a Semana Internacional da Madeira

Como está o mercado em relação à demanda por madeira? Quais setores estão consumindo mais?

Neste momento existe uma superoferta de madeira no mercado e dois fatores me parecem mais relevantes. Primeiro, a redução do consumo na China, provocado pela guerra comercial com os EUA. E por um excesso de estoque, pois as compras vinham altas até setembro de 2018. Quando essa madeira chegou, o mercado já havia esfriado. Agora, esse estoque foi ajustado com uma redução nas compras.

O segundo ponto importante é o grande aumento da capacidade industrial, com novos investimentos. Isso é resultado de seis anos de mercado crescente. Agora estamos na inversão da curva de oferta e demanda. O setor que ainda está consumindo mais é o de celulose e papel, porém já podemos ver uma redução de produção de celulose decorrente da queda dos preços do produto, principalmente na China.

Quais os principais produtos que sua empresa fabrica e que tipo de tecnologia é necessário para os processos?

Produzimos madeira serrada de pinus bruta e aplainada, através do processo S4S. Também fazemos madeira para palete e painéis colados. Os equipamentos usados são basicamente máquinas de serraria, estufas, plainas, otimizadora, coladeira e lixadeira.

Essas tecnologias estão disponíveis no Brasil ou é necessário importar?

A maioria dessas máquinas são encontradas no Brasil. Mas quando avaliamos um novo projeto, alinhado à Indústria 4.0 e com um alto nível de automação e controle é preciso ir atrás de equipamentos no exterior.

Como você avalia a realidade brasileira, comparada com outros países produtores e consumidores de madeira?

Falando de madeira de floresta plantada e olhando para o mercado de madeira serrada, o Brasil já teve mais importância. Mas está recuperando sua posição com alguns investimentos grandes, que foram feitos nos últimos anos. É uma coisa que sempre depende do câmbio favorável. Quando falamos em consumo de madeira, o nosso mercado ainda é pequeno. Com a crise na construção civil ficou ainda menor. O lado bom é que tem um enorme potencial de crescimento, principalmente se conseguirmos colocar mais madeira na construção, que ainda é muito focada no concreto e tijolo.

O setor tem um apelo ambiental muito forte. Devemos lembrar que se queremos reduzir o efeito estufa é preciso usar mais madeira de floresta plantada. Uma parede de madeira ou um móvel de madeira são formas eficientes de fixar gás carbônico ao mesmo tempo que abrem espaço para plantar mais árvores.

Você também preside a Apre, Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal. Quais são os principais objetivos da entidade atualmente?

Queremos agilizar e aproximar ainda mais a interação dos associados e troca de conhecimento entre as empresas. Manter e melhorar a articulação entre a associação e empresas com os governos estadual e federal. Participar ativamente na formulação de leis, decretos e todas as normativas que impactem no setor. Também trabalhamos para aperfeiçoar a comunicação e apresentar nosso setor perante os órgãos públicos e a sociedade. Incentivar programas educacionais, principalmente em escolas. Queremos participar ativamente dos conselhos das Unidades de Conservação e Parques existentes no estado. Fortalecer a imagem da Apre no âmbito nacional. Estreitar a comunicação e linhas de atuação entre as três associações empresariais de base florestal do Sul: Apre, ACR e Ageflor. Outro foco nosso está na realização de cursos de atualizações das atividades florestais para os associados. Buscar soluções para problemas específicos do setor, como estudos de combate a pragas florestais. E melhorar a aproximação entre as instituições de ensino e órgãos de pesquisas com o setor privado.

Como você avalia e relevância de uma feira destinada exclusivamente à cadeira produtiva da madeira?

Considero muito relevante. A Lignum Latin America tem muito a acrescentar para a área de processamento de madeira. O Brasil está muito bem desenvolvido na área florestal, tanto na parte de silvicultura quanto na de colheita. Esperamos que a Lignum Latin America possa agregar, em termos de novas tecnologias e de conhecimento de produtos, para a área de industrialização de madeira. As feiras de fora do país estão muito voltadas para a indústria 4.0 e isso nós vemos muito pouco dentro do Brasil. Acredito que a feira vai apresentar bastante coisa na linha, de alta produtividade e pouca mão-de-obra. É um momento muito especial e importante para a troca de informações e de conhecimento entre os fabricantes de equipamentos e produtos e os produtores de madeira. A feira está conhecida em todo o Brasil e nos países da América do Sul e por isso deve atrair também muitos visitantes estrangeiros.