Pinus. Foto: Berneck.

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Centro de vendas imobiliárias se torna exemplo de como a madeira pode ser flexível e de uso “interminável”

Projeto chinês contemplou a reutilização e a montagem rápida diante da meta de redução de recursos e sustentabilidade, colocada pelo cliente do estúdio

O estúdio LUO, da China, recebeu uma missão de uma empresa do país: a construção de um centro de vendas imobiliárias na província de Henan. Mas não seria qualquer centro, ainda mais em um caso de arquitetura temporária. Ele deveria ser um “espaço universal”, que oferecesse usos “intermináveis”. Ou seja, o projeto deveria contemplar o reaproveitamento da estrutura em outras oportunidades, não apenas prever o desmonte da mesma após o período de negociações do empreendimento.

O conceito partiu do próprio cliente, que tem em seu produto imobiliário um viés mais sustentável. Ele ainda solicitou que o tempo e os custos fossem reduzidos. Os profissionais do estúdio projetaram, então, uma estrutura que pode ser montada e desmontada completamente. Ela também pode receber extensões ou substituições, de acordo com diferentes necessidades. Seus materiais também podem ser aproveitados em outros tipos de construção.

O chamado “Longfu Vida Experience Center” foi pensado inicialmente para o desenvolvimento imobiliário e à exploração de fazendas ecológicas na China e, por isso, o design leva aos visitantes um estilo de vida sustentável. Assim, a madeira foi escolhida para o projeto.

Segundo divulgação feita pelo estúdio LUO, “o edifício não apenas atende à necessidade temporária de marketing, mas também tem potencial para uma ampla gama de outros usos possíveis. É mais apropriado dizer que projetamos um espaço sem restrições funcionais em vez de apenas um centro de marketing”. Todos os locais para serviços necessários no centro e com grandes restrições espaciais, como a escada e o banheiro, foram feitos em módulos básicos. No restante do projeto, houve a tentativa de eliminar qualquer outra restrição funcional de espaços.

Diante de todo o contexto, a madeira e os elementos naturais fizeram parte da identidade do centro e de sua construção. O fornecimento de matéria-prima foi totalmente local. Foram feitos vários pilares de madeira, combinados em forma de coluna agrupada, no lugar de um único pilar de madeira como suporte. Os elementos se assemelham a árvores, como os próprios profissionais do estúdio chinês classificaram, maximizando a força da estrutura e suas possíveis funções.

O design, a construção, o acabamento e a decoração foram finalizadas em menos de dois meses, tempo abaixo da solicitação do cliente. A solução foi utilizar métodos de construção simples e básicos, aliados com a pré-fabricação. “Dividimos todo o edifício em várias unidades primárias e estas foram ainda divididas em vários componentes. Estabelecemos um conjunto de abordagens padrão e simples para a montagem, com o objetivo de acelerar o processo de construção e instalação”, informa a equipe responsável pelo projeto no site do estúdio LUO.

Os materiais foram processados em diferentes fábricas na China. Parte das peças e dos componentes já foram prontos, enquanto outros foram finalizados no canteiro de obras, momentos antes da montagem da estrutura.

“Componentes da estrutura de aço, as colunas de madeira e as conexões de aço foram processas em diferentes fábricas, separadamente. Depois de finalizadas, as colunas de madeira foram montadas com base na estrutura de aço. Todas as colunas são interligadas por conexões de aço, aparafusadas”, descreve a equipe sobre o projeto. Os profissionais dizem que os componentes podem ser desmontados, instalados, movidos e reutilizados para outras construções, tornando o edifício completamente “reversível”.

Foram 49 dias úteis, no total, para processamento de materiais e construção no local. O centro foi concluído em abril de 2018.

Por Portal Madeira e Construção com informações do Madera 21 e estúdio LUO