AAA Após ano estável, setor florestal espera aumento de consumo em 2020 | Apre Florestas

Pinus. Foto: Berneck.

Sala de Imprensa

Notícias

Após ano estável, setor florestal espera aumento de consumo em 2020

Excesso de oferta em relação à demanda e redução nos preços internacionais de produtos florestais estão entre fatores de impacto em 2019; aguardada recuperação econômica pode elevar consumo

O Brasil tem hoje 7,83 milhões de hectares plantados; desses, 5,7 milhões de hectares são de eucalipto e 1,6 milhão de hectares são de pinus. Outras espécies de árvores – entre elas seringueira, acácia, teca e paricá – representam cerca de 590 mil hectares. Comercialmente, as espécies com a maior área plantada possuem também maior representatividade.

Em 2019, segundo a STCP Engenharia, empresa com amplo expertise em pesquisa e análise de mercado, a madeira em tora de pinus, conforme a tendência registrada nos últimos anos, apresentou excesso de oferta em relação à demanda, principalmente para tora de menor diâmetro (toras destinadas à celulose e painéis reconstituídos de madeira), e tendência ao equilíbrio entre a oferta e demanda (ou pequeno excesso da oferta) para toras de maior diâmetro (destinadas à serraria e laminação/compensados).

Para o eucalipto, que é manejado principalmente para a produção de tora fina (menor diâmetro) observou-se um maior equilíbrio entre a oferta e demanda, ou mesmo um excedente em algumas regiões. “A oferta e demanda por madeira de pinus e eucalipto no mercado das regiões Sul e Sudeste, no médio e longo prazo, deverá apresentar significativa alteração em função do movimento observado de compra e venda de ativos florestais entre empresas e expansão da demanda. Esse movimento, pelo menos no curto prazo, poderá provocar desequilíbrio entre a oferta e demanda (com possível déficit de oferta em algumas regiões consumidoras de tora) e impactar os níveis de preços da madeira”, analisa a consultora economista da STCP, Mariza Baida.

Entre os fatores que impactaram o mercado e levaram a esse resultado, segundo a STCP, quatro se destacam: excesso de área com florestas plantadas em regiões com baixa demanda por madeira em tora, a exemplo de áreas produtoras de madeira em Santa Catarina; excesso de plantio, principalmente por parte de produtores independentes (pequenos e médios proprietários), bem como de investidores institucionais (Timo – Timber Investment Managment Organizations/fundos de investimentos); redução nos preços internacionais de produtos florestais, principalmente de madeira sólida (mas também na celulose), que provocaram tendência de queda nas exportações de produtos brasileiros e consequentemente, no consumo (demanda) de madeira em tora; e o consumo final ainda reduzido de produtos de madeira no mercado nacional (desaquecimento da demanda doméstica principalmente na construção civil).

Venda de madeira

Ao longo de 2019, o preço médio nominal da madeira em tora de pinus e eucalipto no Brasil teve oscilações abaixo da inflação do período, não resultando em aumento real de preço para produtos florestais. “O mercado de tora fina de pinus e eucalipto apresentou excesso de oferta em algumas regiões produtoras, principalmente em Santa Catarina. Produtores florestais da região Sul disponibilizaram florestas plantadas para venda ou substituíram tais plantios pela agricultura. Essa tendência, principalmente com pequenos produtores relativamente distantes dos centros de consumo de madeira em tora, resultou em níveis baixos de preço. A tora grossa de pinus e eucalipto, por sua vez, também apresentou certa estabilidade a pequena queda nos níveis de preço ao longo de 2019. Alguns poucos produtores florestais conseguiram reajustar o preço destes sortimentos, porém com índices inferiores à inflação”, diz a consultora economista da STCP.

De acordo com a STCP, o preço médio de venda de tora de pinus na região Sul do Brasil variou, nos últimos meses (setembro e outubro de 2019), conforme segue:

Tora de pinus – madeira em pé:

Para celulose: entre R$ 22,92 e R$ 29,21/m³ (sem impostos);

Para serraria: entre R$ 77,20 e R$ 90,51/m³ (sem impostos);

Preços para tora para laminação (R$ 80,17 e R$ 109,02/m²) e laminação especial (R$ 129,52 e R$ 189,00/m³).

Já o preço médio de venda de tora de eucalipto nas regiões Sul e Sudeste variou, nos últimos meses (set-out/2019) da seguinte forma:

Tora de eucalipto – madeira em pé:

Para celulose: entre R$ 28,87 e R$ 45,63/m³ (sem impostos);

Para serraria: entre R$ 54,62 e R$ 66,80/m³ (sem impostos);

Preços maiores são observados para tora para laminação (R$ 120,84 e R$ 109,02/m²).

Para madeira serrada, os preços nos últimos meses se situaram nos seguintes patamares:

Pinus serrado – Verde (ex-factory): R$ 505,59/m³

Pinus serrado – 1ª seco ao ar (ex-factory): R$ 524,69/m³

Pinus serrado – 1ª seco em estufa (ex-factory): R$ 636,14/m³

Eucalipto serrado – seco ao ar (ex-factory): R$ 766,51/m³

Perspectivas para 2020

Se a esperada recuperação econômica se confirmar no próximo ano, estima-se aumento no consumo de produtos florestais e madeireiros no país, estimulando o setor florestal. “Novos investimentos já anunciados para entrar em operação a partir do final de 2020, deverão impactar favoravelmente o setor (oferta e demanda), principalmente a partir de 2021. No cenário internacional, aguarda-se os desdobramentos de chamada guerra comercial entre EUA e China, com tendência à melhoria da relação comercial entre os dois países, o que permitirá melhor visualizar o comportamento do mercado internacional. Com o dólar valorizado em relação ao real, há perspectiva de maior competitividade dos produtos brasileiros na exportação”, afirma Mariza Baida.

Fonte: Canal Rural – Blog Floresta S/A