Pinus. Foto: Berneck.

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Abimci apresenta cenário da madeira no Brasil durante Workshop Embrapa Florestas/Apre

O Brasil tem, hoje, aproximadamente 530 milhões de área florestal. Desse total, apenas 1,4% é plantada, com 7,8 milhões de hectares, sendo 73,4% de eucalipto, 19,8% de pinus e 6,9% de outras espécies. Com relação às plantações de pinus, o Sul detém 88,64% das florestas plantadas, e o Paraná abrange 43% desse número, seguido de Santa Catarina, com 34%. Já no caso do eucalipto, o Sudeste engloba a maior parte, com 44,9%. Em segundo lugar, vem o Centro Oeste, com 22,2%, Nordeste, com 14,9%, Sul, com 12,5%, e Norte, com 5,5%. Esses foram alguns dados apresentados por Paulo Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria da Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), na palestra “Suprimento florestal: produção e consumo na indústria de transformação”, durante o 6º Workshop Embrapa Florestas/Apre. Pupo utilizou os números para contextualizar os presentes no evento. Ele disse, ainda, que os produtores precisam entender quem consome a madeira para se chegar ao melhor suprimento possível.

Outro dado apresentado pelo superintendente foi com relação à certificação, e ele destacou que o Brasil tem, hoje, 5,4 milhões de hectares com algum tipo de certificação florestal, o que representa 69% de florestas. Segundo Pupo, “a certificação florestal é, hoje, uma ferramenta de mercado”.

Sobre os produtos derivados das florestas, ele ressaltou que os principais são madeira serrada, compensados, painéis, pisos, portas e kits, molduras e componentes diversos. No mercado interno, três segmentos se destacam no consumo de madeira: a construção civil reponde por 70% do uso geral, seguida pelo setor de móveis, que consome aproximadamente 20%, e de embalagens industriais, com 10%.

Produção

Na madeira serrada, Pupo apontou que o setor produz oito milhões de metros cúbicos de pinus e três milhões de madeira dura. No compensado, são 2.700 milhões de metros cúbicos de pinus e 273 milhões de metros cúbicos de madeira dura. Ele trouxe, ainda, dados mundiais para comparar com o Brasil: “enquanto o mundo vem produzindo 347 milhões de metros cúbicos de madeira, nós produzimos 8,6. Desse número, consumimos aproximadamente 6,0 e exportamos o resto”.

Com relação à exportação, o superintendente da Abimci apontou um grande salto nos últimos 10 anos, e garantiu que este é um dos fatores mais preponderantes nos últimos anos, levando o Brasil ao patamar de um importante player no mundo. A atual situação de preços e de consumo no mundo foi um dos motivos, bem como a boa imagem do Brasil e do ambiente de negócios, a melhora dos mercados europeu e americano e o avanço da China.

Quanto aos segmentos de produtos provenientes da madeira, Pupo avaliou que o setor de portas é o mais exposto em nível nacional, porque está diretamente ligado à construção civil. O mais estável é o de moldura, que responde por 32% de tudo que é consumido pelos Estados Unidos, e as exportações são constantes. Um fator novo apontado pelo palestrante foi o crescimento da exportação de toras de coníferas, o que não é bom, pois trata-se de uma matéria que sai sem nenhum valor agregado.

Futuro

Durante a palestra, Pupo também falou sobre as expectativas do setor, como a retomada da economia e do consumo interno, a melhoria do ambiente de negócios, o andamento das reformas e o aumento do financiamento para produção e renovação tecnológica.

Ele ainda reforçou que é preciso aumentar o consumo per capita de madeira, e o caminho para isso é a consolidação e oficialização do sistema wood frame, já que há enorme potencial construtivo por conta da demanda nacional de moradias. Além disso, o superintendente destacou que o sistema pode ser produzido em escala, o que traz mais velocidade para as obras. Mas para que o wood frame se popularize, Pupo garantiu que é necessário chegar à normalização dos produtos.

“Quando normalizamos os produtos, organizamos o mercado, primeiro porque, assim, garantimos um padrão e um nivelamento de informações. A normalização também possibilita o desenvolvimento de produtos certificados e conformes para o mercado e novos programas de certificações. Tudo isso traz reconhecimento dos órgãos oficiais, como Inmetro, ABNT etc, e a padronização é fundamental para acesso a financiamentos e garantias”, explicou.

Por fim, o superintendente garantiu que o Brasil vem vivendo um bom momento,com retomada dos financiamentos e chegada de novo capital estrangeiro ao país.

“O Brasil é o país da vez, com grande potencial de captação de recursos externos. Precisamos, agora, entender o dinamismo do mercado, principalmente externo, acompanhar níveis nacionais da construção civil. Passamos pelo pior, mas os números estão mostrando que o setor florestal é um dos grandes players mundiais, e 90% estão aqui, seja no Paraná ou em Santa Catarina. Devemos aproveitar, ir até o cliente mais próximo, entender o que ele quer e qual o mercado dele para oferecer o melhor produto”, completou.